Uma reportagem divulgada na última semana pelo jornal O Globo apontou que o ministro Alexandre de Moraes teria trocado mensagens pelo WhatsApp com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O caso levantou questionamentos sobre como a Polícia Federal conseguiu acessar mensagens enviadas no modo de “visualização única”.
De acordo com a investigação, Vorcaro foi preso preventivamente em 17 de novembro de 2025 ao tentar deixar o país. No dia seguinte, o Banco Central do Brasil anunciou a liquidação do Banco Master. Durante a prisão, objetos pessoais do empresário foram apreendidos, incluindo seu celular, que permaneceu sob custódia da Polícia Federal.
Meses depois, em 4 de março deste ano, o empresário voltou a ser preso, desta vez sob suspeita de obstrução de investigação. Dois dias após a nova prisão, a jornalista Malu Gaspar publicou reportagem afirmando que a perícia da PF encontrou no celular de Vorcaro registros de conversas com o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo a apuração, as mensagens teriam sido trocadas ao longo do dia 17 de novembro de 2025, pouco antes da primeira prisão do empresário. Parte dessas mensagens teria sido enviada utilizando a função de visualização única do WhatsApp — recurso que faz com que o conteúdo desapareça após ser aberto.
Após a repercussão do caso, o Supremo Tribunal Federal divulgou nota oficial afirmando que Moraes não seria o destinatário das mensagens mencionadas e que houve vazamento e interpretação equivocada do material pericial.
Mesmo assim, a reportagem do jornal manteve a versão inicial, indicando que a Polícia Federal teria identificado o conteúdo das mensagens por meio de softwares forenses utilizados em investigações digitais.
Essas ferramentas conseguem acessar dados ocultos armazenados no aparelho, mesmo que o conteúdo não esteja mais visível no aplicativo. Entre os programas utilizados por autoridades estão sistemas como Cellebrite UFED, Oxygen Forensic Detective e GrayKey.
Esses softwares são desenvolvidos por empresas especializadas em segurança digital e comercializados exclusivamente para governos e órgãos de investigação. Apesar da capacidade de recuperar dados, o acesso depende de algumas condições técnicas, como o fato de as informações ainda não terem sido sobrescritas no sistema do aparelho.
Na reportagem publicada pelo Globo, no entanto, não há detalhes sobre o conteúdo específico que teria sido encontrado nas mensagens analisadas pela perícia.